Do outro lado da rua
Eu confesso. Fiz, sim. E daí? Ah, agora vai me dizer que nunca fizeste também? Todos fazem. É impossível não ficar incomodado. O pior é o cheiro...
Às vezes dá até dó, porque fica lá largado, entregue, sem forças e com aquele olhar de cachorro pidão. Mas você quer que eu faça o quê? Já passei por isso, mas agora, felizmente, eu tenho o meu cantinho, não preciso ficar aí jogado às traças e, ainda por cima, pedindo bis, sendo que nada mais entra nesse organismo devasso. Game Over, filhão. Desiste! Não vou dar nada pra ti hoje.
Lembro de um dia que me encontraram assim. Nossa! Eu estava daquele jeito. Parecia o fim da linha naquela noite. Pensei que ia morrer de tanta solidão e tristeza. Mas aí você começa a conviver com ela e percebe que nem tudo está perdido. O caminho não é dos melhores, mas talvez seja um atalho para lá. E ainda por cima têm a vantagem de ficar sempre com a cabeça em exercício máximo de alucinação. É, meu querido... As coisas não são fáceis desse lado da rua. Enquanto todos evitam passar por aqui, eles têm apenas esse canto para sobreviver. Sim, sobreviver. Viver são outros quinhentos.
Queria ver você passar por isso. Ser ignorado, chutado, desrespeitado... queimado.
Vai, me ajuda aqui. Só quem já passou por isso sabe o que é, xará. Eu não sou da perua da sopa, nem da Igreja, mas essa noite ele não fica aqui. Vamos dar um pouco de vida a este sobrevivente...
Renê e Fernando escrevem todas as terças e quintas aqui, no Drunk Memories.
Escrito por Renê e Fernando às 08h45
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