O Universo conspira a favor do álcool
Fim de ano. Planos para curtir as férias são os que não faltam, o problema é fazer dessas idéias realidades. O destino de muitos são, geralmente, as praias. Quanto mais porcas, melhor. Agente acaba se sentindo em casa vendo os outros sujarem a água e a areia da mesma forma que agente sua as ruas da metrópole...
No banco de trás do carro, vendo os montes e a estrada sem fim rumo ao oceano, percebo que as administradoras de estradas estão investindo mais em alertas para o uso de bebidas alcoólicas ao volante.
O “Se beber não dirija” ficou para trás. A moda agora é “Depois da pinga com limão, a melhor coisa é colchão”. A conspiração contra o uso do apetrecho mais utilizado pelo homem desde sua existência está chegando a patamares metafóricos.
Observe a bizarrice: “Não chegue em casa de ambulância. Do carro da frente, mantenha a distância”. Querer que a população não beba antes de dirigir é uma coisa, agora querer dar uma de “cordelista do trânsito” é demais para as pobres cabeças do povo, ainda mais que eles são obrigados a ficar horas observando as placas, seus detalhes, gafes e afins, já que o trânsito não anda nem com mandinga brava, se é que me entende.
Deixemos o senso comum moralista de lado para se colocar no lugar do pai de família que leva sua patroa e sua prole para um “divertido” reveillon no litoral sul paulista. Muitos que se lançam nessa aventura o fazem por pura falta de opção. O sujeito trabalha tal como um burro de carga ao longo do ano e, ao receber o tão esperado abono, decide se dar ao “luxo” de passar a virada na baixada. Porém, a viagem que deveria proporcionar lazer e descanso faz com que o indivíduo adentre o ano novo com o pé esquerdo.
Tudo começa com quilômetros e mais quilômetros de engarrafamento, provavelmente sobre o sol escaldante de dezembro que, combinado à poluição da metrópole, cria um verdadeiro inferno na terra.
Ao chegar em seu destino, percebe que seus problemas apenas começaram. Devido a grande demanda por diversão barata, a superlotação ocasiona nas cidades litorâneas uma lamentável falta de água .O sujeito, emputecido com as 7 horas que perdeu na estrada e sem água limpa para tomar um banho, decide ir a praia para tentar relaxar. Lá ele se depara com um caos de gente disputando por um pequeno espaço de areia para enterrar seu guarda sol. Quiosques abarrotados que oferecem um atendimento esdrúxulo apenas servem para coroar a sucessão de desventuras.
Nessa situação, indagamos. Esse pobre coitado não merece um momento de diversão? Aí que entra o álcool, a irresponsabilidade e a tão temida direção “ofensiva”, que ocasiona a maioria dos acidentes automobilísticos.
É duro dizer, mas hipocrisia não é meu forte. Admito que beber e dirigir (não intencionalmente) em ruas vazias é um sentimento inexplicável. Já senti isso algumas vezes e, apesar de ser muito traiçoeiro, são momentos interessantes de se viver (o mais legal é você sair vivo disso). Antes de criticar, relembre no seu subconsciente se já não fez o mesmo, ou até mesmo, participou como cúmplice.
Não estimulo, muito pelo contrário, mas que é bom, é. É como uma placa que vi um dia desses: “Tudo que é proibido é mais gostoso”.
Ano novo, vida nova e mesmos bêbados de sempre. Renê e Fernando começam o ano a todo vapor etílico trazendo estórias do conturbado mundo de Drunk Memories, todas terças e quintas.
Escrito por Renê e Fernando às 13h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|