Veraneios & Devaneios

Era verão no horário de verão, noites quentes e dias não menos “fritantes”. Você passa o ano todo fazendo porcaria: Chuta cachorro, atropela pomba, mata toda barata que vê na rua, discuti com os amigos, bate nas crianças, não limpa a bunda direito, não vai bem nos estudos e cochila todo dia no trabalho, sem falar que abusa na internet e virou praticamente um maníaco sexual ao ver qualquer menininha na rua com uma roupa um pouco mais à vontade. Antes de levar um tapa na cara da namorada porque babando pela carne alheia, você para e pensa: Aquela baboseira de ser um menino legal para ganhar presentes já se foi. Descobri que esse velho não existe e que, ultimamente, nem presente eu recebo. Também não vou dar, então...

 

Mas a moda agora é qual será a sua primeira atitude no ano novo. Quando digo primeira atitude, é a primeira mesmo. Os fogos clareiam a noite, você abraça todo mundo com aquela falsidade já característica, e aí? Vai fazer o quê? Há boatos por aí que você terá fartura durante o ano dessa primeira atitude que você terá. Por isso, uns dormem, sonhando para ter mais sossego durante o ano, outros vão pular sete ondas e rezar, esperando melhor sorte dessa vez...Há também os que não fazem nada, torcendo para que o resto do mundo também não faça e ele fique tranqüilo, vendo TV e curtindo o que a vida tem de melhor para oferecer quando se está de férias permanentes e os pais nem ligam de bancá-lo para o resto de suas vidas.

 

Para os mais ousados, que decidem romper com a barreira imposta pelo bom princípio tradicional, o uso da substância que ”matou o padre” é mais do que oportuno. Esqueça o sentimentalismo barato e, no momento da virada, vire um copo da sua bebida predileta. Doravante, libere todos sentimentos que foram reprimidos durante o ano. Pule, grite, dance, xingue, chafurde e, se necessário, vire celebridade em sua família se tornando a atração principal da festa.

 

Se estiver pelas praias do país, melhor ainda. O clima quente e a pressão atmosférica do litoral potencializam os efeitos do álcool na “moringa” dos usuários. Aproveite que amor de verão não sobe serra e siga a famigerada propaganda que recomenda diversão com as sirigaitas do nosso “Brasilzão” caótico e decadente. Só não se empolgue muito a ponto de esquecer o uso do preservativo e eventualmente gerar um herdeiro caiçara.

 

Eu só sei de uma coisa: No primeiro dia do ano, acordei na areia, parecendo um bife à milanesa, estava com dor de cabeça e uma garrafa vazia indiciando o que eu havia feito, sinal de que bebi até o fígado pedir demissão precoce. Afoguei as mágoas do ano que passou, matei todas as bactérias e agora estou novinho. Não sei se é um bom sinal, mas bebida é o que não vai faltar este ano que se inicia, pelo que tudo indica.

 

Drunk Memories, sem medo de ser feliz. Todas as terças e quintas.



Escrito por Renê e Fernando às 13h41
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O Universo conspira a favor do álcool

Fim de ano. Planos para curtir as férias são os que não faltam, o problema é fazer dessas idéias realidades. O destino de muitos são, geralmente, as praias. Quanto mais porcas, melhor. Agente acaba se sentindo em casa vendo os outros sujarem a água e a areia da mesma forma que agente sua as ruas da metrópole...

 

No banco de trás do carro, vendo os montes e a estrada sem fim rumo ao oceano, percebo que as administradoras de estradas estão investindo mais em alertas para o uso de bebidas alcoólicas ao volante.

O “Se beber não dirija” ficou para trás. A moda agora é “Depois da pinga com limão, a melhor coisa é colchão”. A conspiração contra o uso do apetrecho mais utilizado pelo homem desde sua existência está chegando a patamares metafóricos.

Observe a bizarrice: “Não chegue em casa de ambulância. Do carro da frente, mantenha a distância”. Querer que a população não beba antes de dirigir é uma coisa, agora querer dar uma de “cordelista do trânsito” é demais para as pobres cabeças do povo, ainda mais que eles são obrigados a ficar horas observando as placas, seus detalhes, gafes e afins, já que o trânsito não anda nem com mandinga brava, se é que me entende.

 

Deixemos o senso comum moralista de lado para se colocar no lugar do pai de família que leva sua patroa e sua prole para um “divertido” reveillon no litoral sul paulista. Muitos que se lançam nessa aventura o fazem por pura falta de opção. O sujeito trabalha tal como um burro de carga ao longo do ano e, ao receber o tão esperado abono, decide se dar ao “luxo” de passar a virada na baixada. Porém, a viagem que deveria proporcionar lazer e descanso faz com que o indivíduo adentre o ano novo com o pé esquerdo.

 

Tudo começa com quilômetros e mais quilômetros de engarrafamento, provavelmente sobre o sol escaldante de dezembro que, combinado à poluição da metrópole, cria um verdadeiro inferno na terra.

 

Ao chegar em seu destino, percebe que seus problemas apenas começaram. Devido a grande demanda por diversão barata, a superlotação ocasiona nas cidades litorâneas uma lamentável falta de água .O sujeito, emputecido com as 7 horas que perdeu na estrada e sem água limpa para tomar um banho, decide ir a praia para tentar relaxar. Lá ele se depara com um caos de gente disputando por um pequeno espaço de areia para enterrar seu guarda sol. Quiosques abarrotados que oferecem um atendimento esdrúxulo apenas servem para coroar a sucessão de desventuras.

 

Nessa situação, indagamos. Esse pobre coitado não merece um momento de diversão? Aí que entra o álcool, a irresponsabilidade e a tão temida direção “ofensiva”, que ocasiona a maioria dos acidentes automobilísticos.

 

É duro dizer, mas hipocrisia não é meu forte. Admito que beber e dirigir (não intencionalmente) em ruas vazias é um sentimento inexplicável. Já senti isso algumas vezes e, apesar de ser muito traiçoeiro, são momentos interessantes de se viver (o mais legal é você sair vivo disso). Antes de criticar, relembre no seu subconsciente se já não fez o mesmo, ou até mesmo, participou como cúmplice.

Não estimulo, muito pelo contrário, mas que é bom, é. É como uma placa que vi um dia desses: “Tudo que é proibido é mais gostoso”.

 

 

 Ano novo, vida nova e mesmos bêbados de sempre. Renê e Fernando começam o ano a todo vapor etílico trazendo estórias do conturbado mundo de Drunk Memories, todas terças e quintas.

Escrito por Renê e Fernando às 13h32
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