Do outro lado da rua

Eu confesso. Fiz, sim. E daí? Ah, agora vai me dizer que nunca fizeste também? Todos fazem. É impossível não ficar incomodado. O pior é o cheiro...

Às vezes dá até dó, porque fica lá largado, entregue, sem forças e com aquele olhar de cachorro pidão. Mas você quer que eu faça o quê? Já passei por isso, mas agora, felizmente, eu tenho o meu cantinho, não preciso ficar aí jogado às traças e, ainda por cima, pedindo bis, sendo que nada mais entra nesse organismo devasso. Game Over, filhão. Desiste! Não vou dar nada pra ti hoje.

 

Lembro de um dia que me encontraram assim. Nossa! Eu estava daquele jeito. Parecia o fim da linha naquela noite. Pensei que ia morrer de tanta solidão e tristeza. Mas aí você começa a conviver com ela e percebe que nem tudo está perdido. O caminho não é dos melhores, mas talvez seja um atalho para lá. E ainda por cima têm a vantagem de ficar sempre com a cabeça em exercício máximo de alucinação. É, meu querido... As coisas não são fáceis desse lado da rua. Enquanto todos evitam passar por aqui, eles têm apenas esse canto para sobreviver. Sim, sobreviver. Viver são outros quinhentos.

Queria ver você passar por isso. Ser ignorado, chutado, desrespeitado... queimado.

 

Vai, me ajuda aqui. Só quem já passou por isso sabe o que é, xará. Eu não sou da perua da sopa, nem da Igreja, mas essa noite ele não fica aqui. Vamos dar um pouco de vida a este sobrevivente...

 

Renê e Fernando escrevem todas as terças e quintas aqui, no Drunk Memories.



Escrito por Renê e Fernando às 08h45
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“Se eu fosse o Adão...”

Que o tempo é relativo, todos sabem. Afinal, é comum para nós observar que horas podem demorar dias inteiros para passar quando estamos numa situação desagradável, bem como dias que passam em alguns minutos quando estamos nos divertindo.

 

O ponto culminante nessa sensação distorcida de tempo é a ilusão pregada por nosso cérebro. Isso mesmo, o órgão mais desenvolvido que nos diferencia dos animais é que apronta essas peripécias em nosso cotidiano.

O exemplo clássico é o paradoxo existente entre uma segunda e uma sexta-feira. Teoricamente, nos dois dias temos a mesma quantidade de horas. Na segunda, para quem faz parte da classe dos assalariados, o ponteiro parece se rastejar pelo relógio, tudo demora, dá errado, incomoda e a única recompensa ao fim do dia é saber que a segundona (Entendeu o trocadilho? Segundona, Corinthians...Entendeu, entendeu? Ta parei) já passou.

 

Já no caso de uma sexta-feira, os valores se invertem. Tudo é lindo, todo contratempo vira motivo de piada, seu chefe está mais bem-humorado do que nunca e no fim do dia você é recompensado com um happy-hour regado por aquelas substâncias que conhecemos bem e adoramos, diga-se de passagem. É ai que entramos na pauta predileta do nosso blog: A influência do álcool na distorção do tempo.

 

Que atire a primeira garrafa aquele bêbado que, após acordar no sábado com uma ressaca desgraçada, jurou ao mundo a abstinência e na sexta-feira seguinte estava no mesmo bar, pedindo os mesmos drinks daquela fatídica semana passada.

 

É “batata” dizer que o álcool, quando entra em contato com nosso sistema nervoso, altera nossa percepção de tempo e espaço. Os minutos de felicidade, euforia e relaxamento proporcionados fazem com que cada bêbado sinta o tempo passar de maneira peculiar. As ações, cada vez mais espontâneas, são realizadas com o instinto ao invés do comodismo, dando uma pitada de aventura a toda essa maluquice que abastece a sua incansável mente careta acostumada com o horário comercial.


Pode admitir, quando você está bêbado você é mais feliz, pega mais mulher (ou mais homens, no caso da mulherada), fica mais engraçado - outros ficam mais emotivos-, para os que têm insônia, a bebida também ajuda a dormir depois de um tempo, você gasta aquele dinheiro que estava guardando para alguma emergência que nunca iria surgir, enfim...

 

É inevitável enxergar que tudo isso acontece quando você está sob o efeito de algo que só o homem teria a capacidade de inventar. Nem Deus, no auge do sétimo dia, pensou em criar um litro de cana para dar a Adão empurrar a janta de Eva, da cobra maldita, dos animais... Se ele estivesse mamado até o talo, com certeza nem a maça escaparia dessa aventura épica.

Acho que vou escrever um livro, já tem até nome: “Se eu fosse o Adão...”

 

É melhor parar por aqui, tira esse litro de vodca do meu lado se não vou escrever até sobre Napoleão e as “cocotinhas” que ele deveria ter plantado o nervo quando ainda era viril.

 

Barbaridades e boca suja é só aqui, no Drunk Memories. Todas as terças e quintas.

 



Escrito por Renê e Fernando às 09h41
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A idade do prazer

Ele nasceu forte e saudável, pesava menos de um quilo, mas já dava sinais que logo, logo seria igual a seu pai, um legítimo Whiskie 21 anos da melhor safra. Mamãe, um leve licor de cacau e passas era coruja e paparicava a garrafinha dia e noite, coisa que seu pai sempre repudiou, exigindo dureza, durabilidade e validade além da matéria. Já ele, um pequeno e barato litro de whiskie, ainda está crescendo e se espelha no pai, que é um lord e o dono da prateleira.

 

Os anos passaram, a vida de criança parece não ter fim, seu aroma suave e tonalidade clara já não abastecem mais a vontade de virar um adolescente, ou seja, um Whiskiezinho 12 anos de muita força e que promete ser o sucessor da família. Sua mãe, orgulhosa de ver seu único rótulo crescendo, agradece aos deuses distribuidores de bebida por ele ter nascido com saúde, graças a essa qualidade o garoto ainda está perto deles, na mesma prateleira.

Porém, a vida de um adolescente é, em todos os casos, hiper-ativa, o que dificulta a ação dos pais em observar os passos do herdeiro. Na vida, há sempre aqueles momentos em que você tem que mostrar para seus progenitores que você já não é mais aquele garotinho bobinho, que abaixa a cabeça sempre que houve uma bronca por alguma burrada que tinha feito. E foi o que ele fez, a tática de deixar o vidro entreaberto deu certo e aguçou a vontade daquele humano sapeca em experimentar novas iguarias enquanto seus pais viajavam. Da primeira vez, tudo bem, a mãe aceitou, entendeu a situação e apenas observou seu filho chegar altas horas em casa. Quando as saídas viraram rotina, ela se preocupou, viu que estava criando um vândalo que adorava sair com aquelas pessoas de pernas e braços.


Nas badaladas noites da cidade, o whiskiezinho era a sensação da rapaziada. Todo mundo queria dar uma bicada naquele líquido tão honroso. O moderador de goles do pequeno whiskie já não agüentava mais a sede famigerada das pessoas. Sua essência foi se espalhando por bocas alheias e nada restava fazer. A única saída para se manter vivo, ativo, era usar entorpecentes, o que manteria várias bocas de curiosos bem longe. Todos sabem o perigo dessas substâncias, menos a pequena garrafa, que pouco a pouco foi viciando e necessitando cada vez mais das drogas para se ver whiskie, coisa que não era mais há muito tempo. Seu destino foi selado na sua última balada, o restinho que lhe restava de sabedoria foi engolido por um gordinho que estava mais pra lá do que pra cá. Lá se foi o brilho do whiskie. Agora, ele não é nada além de uma simples garrafa.

Para sua sorte, o humano o guardou na prateleira e encheu de refrigerante de guaraná, numa tentativa desesperada de enganar seus pais. Pior para o whiskiezinho, que não teve outra escolha e foi obrigado a se mostrar naquela tonalidade para seus papais.

Quando ele chegou à prateleira, o pior aconteceu...

 

“Não há escolha, você sai para a gandaia com os humanos e volta ainda mais vazio e com marcas por todo o corpo de vidro, não se lembra que é frágil, seu rótulo está perdendo cor e vida, além de estar todo abarrotado”, disse o pai furioso. “Com certeza ele está usando drogas”. A decepção é evidente, enquanto sua mãe chora cacau, seu pai, duro e correto como sempre foi, estava lá, olhando para ele de cima a baixo, sua tampa lustrosa e rótulo imponente fizeram o refrigerante do whiskiezinho gelar. Seu pai não via escolha, a família não carregaria essa marca negra para sempre.

Um leve empurrão e o estilhaço no chão os fizeram, os humanos, acordarem de madrugada. O adolescente chorava ao ver seu troféu predileto esparramado no chão, totalmente destroçado e escorregando seu líquido até o canto da sala. Lá de cima da prateleira, seu pai apenas olhava, imóvel, a cria que acabara de matar.

 

Haja droga para escrever uma coisa dessas. Deus nos livre!

Drunk Fábulas para crianças não dormirem a noite Memories, todas as terças e quintas.



Escrito por Renê e Fernando às 16h37
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Veraneios & Devaneios

Era verão no horário de verão, noites quentes e dias não menos “fritantes”. Você passa o ano todo fazendo porcaria: Chuta cachorro, atropela pomba, mata toda barata que vê na rua, discuti com os amigos, bate nas crianças, não limpa a bunda direito, não vai bem nos estudos e cochila todo dia no trabalho, sem falar que abusa na internet e virou praticamente um maníaco sexual ao ver qualquer menininha na rua com uma roupa um pouco mais à vontade. Antes de levar um tapa na cara da namorada porque babando pela carne alheia, você para e pensa: Aquela baboseira de ser um menino legal para ganhar presentes já se foi. Descobri que esse velho não existe e que, ultimamente, nem presente eu recebo. Também não vou dar, então...

 

Mas a moda agora é qual será a sua primeira atitude no ano novo. Quando digo primeira atitude, é a primeira mesmo. Os fogos clareiam a noite, você abraça todo mundo com aquela falsidade já característica, e aí? Vai fazer o quê? Há boatos por aí que você terá fartura durante o ano dessa primeira atitude que você terá. Por isso, uns dormem, sonhando para ter mais sossego durante o ano, outros vão pular sete ondas e rezar, esperando melhor sorte dessa vez...Há também os que não fazem nada, torcendo para que o resto do mundo também não faça e ele fique tranqüilo, vendo TV e curtindo o que a vida tem de melhor para oferecer quando se está de férias permanentes e os pais nem ligam de bancá-lo para o resto de suas vidas.

 

Para os mais ousados, que decidem romper com a barreira imposta pelo bom princípio tradicional, o uso da substância que ”matou o padre” é mais do que oportuno. Esqueça o sentimentalismo barato e, no momento da virada, vire um copo da sua bebida predileta. Doravante, libere todos sentimentos que foram reprimidos durante o ano. Pule, grite, dance, xingue, chafurde e, se necessário, vire celebridade em sua família se tornando a atração principal da festa.

 

Se estiver pelas praias do país, melhor ainda. O clima quente e a pressão atmosférica do litoral potencializam os efeitos do álcool na “moringa” dos usuários. Aproveite que amor de verão não sobe serra e siga a famigerada propaganda que recomenda diversão com as sirigaitas do nosso “Brasilzão” caótico e decadente. Só não se empolgue muito a ponto de esquecer o uso do preservativo e eventualmente gerar um herdeiro caiçara.

 

Eu só sei de uma coisa: No primeiro dia do ano, acordei na areia, parecendo um bife à milanesa, estava com dor de cabeça e uma garrafa vazia indiciando o que eu havia feito, sinal de que bebi até o fígado pedir demissão precoce. Afoguei as mágoas do ano que passou, matei todas as bactérias e agora estou novinho. Não sei se é um bom sinal, mas bebida é o que não vai faltar este ano que se inicia, pelo que tudo indica.

 

Drunk Memories, sem medo de ser feliz. Todas as terças e quintas.



Escrito por Renê e Fernando às 13h41
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O Universo conspira a favor do álcool

Fim de ano. Planos para curtir as férias são os que não faltam, o problema é fazer dessas idéias realidades. O destino de muitos são, geralmente, as praias. Quanto mais porcas, melhor. Agente acaba se sentindo em casa vendo os outros sujarem a água e a areia da mesma forma que agente sua as ruas da metrópole...

 

No banco de trás do carro, vendo os montes e a estrada sem fim rumo ao oceano, percebo que as administradoras de estradas estão investindo mais em alertas para o uso de bebidas alcoólicas ao volante.

O “Se beber não dirija” ficou para trás. A moda agora é “Depois da pinga com limão, a melhor coisa é colchão”. A conspiração contra o uso do apetrecho mais utilizado pelo homem desde sua existência está chegando a patamares metafóricos.

Observe a bizarrice: “Não chegue em casa de ambulância. Do carro da frente, mantenha a distância”. Querer que a população não beba antes de dirigir é uma coisa, agora querer dar uma de “cordelista do trânsito” é demais para as pobres cabeças do povo, ainda mais que eles são obrigados a ficar horas observando as placas, seus detalhes, gafes e afins, já que o trânsito não anda nem com mandinga brava, se é que me entende.

 

Deixemos o senso comum moralista de lado para se colocar no lugar do pai de família que leva sua patroa e sua prole para um “divertido” reveillon no litoral sul paulista. Muitos que se lançam nessa aventura o fazem por pura falta de opção. O sujeito trabalha tal como um burro de carga ao longo do ano e, ao receber o tão esperado abono, decide se dar ao “luxo” de passar a virada na baixada. Porém, a viagem que deveria proporcionar lazer e descanso faz com que o indivíduo adentre o ano novo com o pé esquerdo.

 

Tudo começa com quilômetros e mais quilômetros de engarrafamento, provavelmente sobre o sol escaldante de dezembro que, combinado à poluição da metrópole, cria um verdadeiro inferno na terra.

 

Ao chegar em seu destino, percebe que seus problemas apenas começaram. Devido a grande demanda por diversão barata, a superlotação ocasiona nas cidades litorâneas uma lamentável falta de água .O sujeito, emputecido com as 7 horas que perdeu na estrada e sem água limpa para tomar um banho, decide ir a praia para tentar relaxar. Lá ele se depara com um caos de gente disputando por um pequeno espaço de areia para enterrar seu guarda sol. Quiosques abarrotados que oferecem um atendimento esdrúxulo apenas servem para coroar a sucessão de desventuras.

 

Nessa situação, indagamos. Esse pobre coitado não merece um momento de diversão? Aí que entra o álcool, a irresponsabilidade e a tão temida direção “ofensiva”, que ocasiona a maioria dos acidentes automobilísticos.

 

É duro dizer, mas hipocrisia não é meu forte. Admito que beber e dirigir (não intencionalmente) em ruas vazias é um sentimento inexplicável. Já senti isso algumas vezes e, apesar de ser muito traiçoeiro, são momentos interessantes de se viver (o mais legal é você sair vivo disso). Antes de criticar, relembre no seu subconsciente se já não fez o mesmo, ou até mesmo, participou como cúmplice.

Não estimulo, muito pelo contrário, mas que é bom, é. É como uma placa que vi um dia desses: “Tudo que é proibido é mais gostoso”.

 

 

 Ano novo, vida nova e mesmos bêbados de sempre. Renê e Fernando começam o ano a todo vapor etílico trazendo estórias do conturbado mundo de Drunk Memories, todas terças e quintas.

Escrito por Renê e Fernando às 13h32
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